Assisti ontem, na AR TV, a toda a audição a José Berardo. Os deputados que procuraram obter os esclarecimentos sobre o que fez e como obteve o dinheiro que é indirectamente de todos nós esbarraram numa prestação indecorosa deste triste exemplar de um certo tipo de capitalismo à portuguesa que corroeu uma boa parte da nossa economia, abalando banca e empresas.
José Berardo gozou ontem com todos nós e fê-lo com uma clara sensação de impunidade que não é compatível com os padrões de exigência ética que queremos para a nossa sociedade. Berardo recebeu centenas de milhões de euros para negócios pouco claros que nunca pagou, o que contrasta com todos os portugueses que são executados nas suas hipotecas e bens quando não honram os seus compromissos.
Mais: utilizou todo o tipo de esquemas para fugir às suas responsabilidades, não tem bens em seu nome, fez uma golpada ainda por explicar em relação à titularidade das obras e dos termos em que estão expostas, padecendo sempre de uma estranha amnésia, quando não esgar de gozo, sempre que foi apanhado nas sucessivas contradições e ocultações.
A sua prestação foi deplorável, deve perder a sua comenda e a justiça tem de actuar com exemplaridade... neste e noutros casos. Os portugueses assim exigem!

