17 Out 2018
À amizade!

Com a tomada de posse dos novos Secretários de Estado, reconhecidos a todos os que cessaram funções, ficou hoje concluído o processo que dará um novo vigor ao nosso Governo. Mas mais importante do que isso, para mim, foi o abraço apertado ao Joao Galamba e ao João Torres, dois amigos com quem tenho feito um percurso conjunto ao longo de vários anos. São dos mais bem preparados e dedicados que conheço. Hoje ingressaram nas fileiras do executivo e nós cá estivemos com orgulho, amizade e entusiasmo. E com muita estrada para andar.

14 Out 2018
Otelo

Monumental “Otelo”, há dias, numa das mais belas salas de teatro que conheço.

10 Out 2018
Temos de salvar os CTT

Hoje reuni na Assembleia da República com representantes da Comissão de Trabalhadores dos CTT. O que nos transmitiram - outra vez - confirma que esta privatização feita pelo anterior Governo PSD/CDS representa um autêntico saque ao país.

Esta empresa rentável até à privatização está hoje num colapso em câmara lenta por opção de uma administração que, no seu conjunto, se aumentou 500% face à altura em que a empresa era pública. Para além disso foram às reservas da empresa para distribuir dividendos acima dos lucros, venderam valioso património imobiliário que era de todos nós, fecharam dezenas de agências pelo país fora (segundo nos informaram, 41 só este ano) e, mais grave, estão a concentrar todos os apetitosos activos financeiros e a licença bancária numa empresa que ficará fora do perímetro do serviço postal universal, que está hoje completamente degradado. Ou seja, em breve até será do seu interesse que o Estado resgate a concessão, entregando os ossos e ficando com as jóias.

Isto é um escândalo e não compreendo a inércia cúmplice da ANACOM. Eu e muitos socialistas não o aceitaremos!

06 Out 2018
Esperança no Brasil

O Brasil está num estado de extrema polarização política que começou quando as oligarquias e as velhas elites - hoje acantonadas na extrema-direita - desrespeitaram o voto popular e arranjaram um expediente para deitar abaixo Dilma Rousseff. A ferida abriu e nunca mais fechou, somando crise económica à crise política.

Já depois da ignomínia da sua sessão de “impeachment” pude assistir a uma conferência notável de Dilma em Portugal, percebendo ainda com mais clareza a dimensão do ódio de classe que está enraizado contra a obra social do Partido dos Trabalhadores, bem como o papel do conglomerado económico, mediático e judicial brasileiro na sua tentativa de implosão. Não é uma cortina de fumo, é o prolongamento de um revanchismo histórico associado a um estado de quase excepção, com grande violência política e agudas clivagens.

Os erros cometidos pelo PT foram muitos, sim. Intoleráveis, se quisermos, para uma governação de esquerda consequente. Sucede que eles nada têm a ver com a forma como foi posta em marcha a sua decapitação, embrulhada numa justiça parcial que nem sequer permitiu a Lula da Silva votar nas eleições. Perante isso, os democratas não se silenciam. Eu e outros deputados portugueses, ao lado de muitos outros por esse mundo fora, não nos calámos perante esse atentado aos direitos e liberdades de um cidadão.

Amanhã, finalmente, o Brasil vai a votos. As sondagens dizem que os antigos pilares da ditadura militar, os brancos ricos e os privilegiados, a que se acrescentam os fanatizados, vão votar num candidato que bolsa ódio. Ele é fascista, racista, misógino, homofóbico, inculto, primitivo, apoiante de torcionários, fã dos assassinatos políticos da ditadura militar e de execuções como a de Marielle Franco, que não condenou.

Cabe ao candidato do PT, que começou com 4% nas sondagens, confirmar que pode impedir uma vertigem autoritária com o voto dos pobres, das classes médias e de uma parte significativa daquele povo que aspira a uma vida melhor. Parece quase impossível, mas pode acontecer.

Acredito que amanhã vai ser barrada a peste fascista que, como sempre, tem o apoio dos “de cima” e já agora dos neoliberais que tão bem se deram no Chile de Pinochet. Perante a dimensão do que está em causa, eu votaria com toda a convicção e sem quaisquer estados de alma. Pela justiça histórica, rumo à vitória na segunda volta, daqui envio um abraço fraterno a todos os amigos brasileiros que estão nesta batalha.

Força, PT. Em frente, Fernando Haddad!

05 Out 2018
Viva a República!

Longa vida à República Portuguesa!

Hoje lembramos uma data libertadora que cumpriu o ideário emancipatório da Revolução Francesa, das Luzes, do Iiberalismo político republicano, do poder do soberano e, mais subsidiariamente, da “Primavera dos Povos”. A República acabou com o sistema caduco da monarquia e dos privilégios dinásticos, encetando uma extraordinária obra que o Estado Novo e uma parte da direita ainda hoje menoriza como uma mera fase de convulsões.

Na verdade, tirando o erro hoje facilmente identificável, mas historicamente enquadrável, da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, os republicanos enfrentaram o país que a monarquia deixou: completamente subdesenvolvido, com 75% de analfabetos, pavorosamente pobre, dominado pelos santos e pela fome.

Os republicanos foram pioneiros em múltiplos avanços sociais com a nova Constituição Republicana: instrução e escola pública, criação do ensino primário infantil obrigatório, lei do divórcio, separação entre Estado e Igreja, promoção da saúde pública, abolição do juramento religioso, reconhecimento do direito à assistência pública, legislação laboral a favor dos trabalhadores, etc.

Em todo este difícil percurso enfrentaram a desestabilização das velhas ordens, a pastoral dos bispos contra a República e a resistência dos antigos privilegiados.

Neste dia homenageamos todos os republicanos que nos permitiram libertar do jugo monárquico naquele 5 de Outubro de 1910, mas também todos os heróis da pátria que se sacrificaram por esse ideal antes deles, incluindo os revolucionários do 31 de Janeiro de 1891 no Porto, os maçons e os carbonários que abalaram a fase final da monarquia, sem esquecer o “velho” Partido Socialista Português de Antero de Quental e todos os movimentos de inspiração intelectual progressista que lutaram pela queda do rei e toda a sua casta de privilegiados de sangue contra a maioria da população.

Não há nada mais importante do que isto: poder do povo, pelo povo e para o povo.

Onde havia súbditos, há hoje cidadãos.

Viva a República!