30 Set 2018
O país comprimido

A compressão do espaço mediático traduz um país monocromático que alimenta o centralismo porque é visto e contado a partir dos seus miradouros: é assim que órgãos de comunicação supostamente nacionais, intermediadores dos problemas do país, são na realidade órgãos de comunicação regionais, locais, mas que acabam por “nacionalizar” a sua visão, problemas e soluções (foi por isso que em tempos o trânsito numa rotunda lisboeta abriu os 3 telejornais da noite). E na maioria das vezes admito que nem tenham consciência disso devido aos processos de aculturação.

É neste contexto que o DN, designado jornal nacional, “foi ao Porto” como quem envereda num empreendimento para um local exótico.

Isto é um problema, atomiza o país e é mais grave do que parece.

28 Set 2018
Parabéns, Pé de Vento!

Hoje, assim que cheguei ao Porto, estive na comemoração dos 40 anos da companhia “Pé de Vento”. Uma singela mas muito merecida homenagem a esta importante instituição do Porto que tanto tem honrado a cidade. Foi certamente um dia especialmente feliz para o meu bom amigo João Luiz.

Entre muitos outros, o Ministro da Cultura Luis Castro Mendes marcou presença e leu um poema do Manuel António Pina, um nome intimamente ligado à história desta casa.

Reparei, e não terei sido o único, na ausência dos presidentes da Câmara e da União de Freguesias ou de qualquer representante institucional das autarquias. Ao contrário de quem faz 600 km para valorizar esta instituição do Porto, terão tido certamente compromissos inadiáveis...

09 Set 2018
Petição pelos direitos dos animais

Na passada quinta-feira, na Assembleia da República, recebi com deputados de todos os partidos uma petição com mais de 12000 assinaturas recolhidas num mês pelo «Movimento Movido a 4 Patas» para melhorar e dar maior abrangência à Lei de Maus Tratos a Animais. Um tema a que daremos atenção!

01 Set 2018
Quando Portugal Ardeu

O Miguel Carvalho não é historiador, mas em «Quando Portugal Ardeu», que acabei agora de ler, escreveu uma belíssima obra de história. O livro está exemplarmente bem escrito e documentado, incluindo várias entrevistas originais que permitem acompanhar uma espécie de “lado B” do PREC. 

Contrariando as narrativas da “deriva esquerdista”, o Miguel Carvalho demonstra o papel da rede bombista de extrema-direita na desestabilização do país, nos atentados, roubos e assassinatos, mas sobretudo o pano de fundo de quem a apoiou, protegeu e financiou: uma parte relevante da hierarquia da igreja (em particular o cónego Melo), industriais, empresários, polícias, magistrados e militares (incluindo Pires Veloso, que liderou a região militar do Norte), estabelecendo ligações sólidas aos partidos então emergentes (em especial, mas não exclusivamente, ao CDS), os conluios judiciais e militares, o revanchismo dos protegidos da ditadura, o aconchego da ditadura franquista, os mercenários que vieram engrossar a “contra-revolução”, os opositores à independência das ex-colónias que traficaram armas e muito mais, as ligações à CIA e a outros serviços secretos, bem como as influências da “internacional fascista”. 

Todos os responsáveis conhecidos se safaram num manto de impunidade e os desconhecidos, que não são assim tão desconhecidos, nunca foram acusados embora tenham tentado apagar todos os vestígios (como o assassinato de Ferreira Torres, um dos responsáveis do MDLP e financiador do terrorismo de direita). 

Recomendo vivamente esta obra a todos, mas em particular aos meus amigos historiadores que podem desdobrar o impacto do livro colocando-o na bibliografia fundamental deste período da nossa história recente.