09 Mai 2020
Escolhas em tempos de cólera
Escolhas em tempos de cólera

Escolhas em tempos de cólera para a Secção do PS de Santo Ildefonso. 

"A Maria João Castro, Secretária Coordenadora da Secção do PS Santo Ildefonso, convidou-me a partilhar convosco as minhas «Escolhas em Tempo de Cólera». Uma boa iniciativa para que, através da Cultura e dos tantos mundos que ela nos oferece, possamos evadir do dever geral de recolhimento a que ainda temos de estar sujeitos para combater a pandemia.

Livros

"O homem que gostava de cães", um romance do premiado escritor cubano Leonardo Padura que conta a história do assassinato de Trostky pelo agente estalinista Ramón Mercader, mergulhando na perversão da utopia. É um romance que cruza várias histórias e a própria História da primeira metade século XX, não deixando de, a partir de Cuba, dar eco aos sonhos e frustrações da própria geração do autor.

"Quando Portugal Ardeu", de Miguel Carvalho. Já o recomendei anteriormente, mas nesta altura de celebração de Abril vale a pena recuperar este livro que nos conta o "lado b do PREC". Para lá das ideias dominantes sobre o período pós-revolucionário e o Verão Quente, este jornalista escreveu uma belíssima obra que nos faz mergulhar na violência e no terror bombista de direita durante esse período, as perigosas alianças que estabeleceu e as cumplicidades que permitiram - para lá da intimidação e dos assassinatos - uma enorme manipulação de massas.

"Estrada Nacional", um belíssimo livro de poesia do meu amigo Rui Lage, que recebeu justamente o prémio Ruy Belo e que nos faz percorrer pelo itinerário de um país rural que é memória difusa e no qual, poema a poema, construímos o nosso mapa.

Série

"Grandes Acontecimentos da Segunda Guerra Mundial a Cores" (Netflix). Quando passam 75 anos da derrota da máquina de guerra nazi-fascista na Segunda Grande Guerra, vale a pena ver estes 10 episódios documentais com imagens inéditas e inteiramente a cores sobre os principais acontecimentos da Guerra mais brutal da História da Humanidade.

CD

"Everything Now", dos Arcad Fire. Ouvimo-los pela primeira vez em Paredes de Coura em 2005 e voltaram em 2018 num concerto épico para os 27 mil sortudos que puderam assistir, entre os quais me encontro. Este ano, fruto da pandemia, não teremos o "Couraíso". Mas podemos voltar a ouvir este álbum de estúdio de 2017 de uma das bandas que provavelmente mais perdura na memória colectiva do festival e, de certa forma, melhor o personifica."