06 Out 2018
Esperança no Brasil
Esperança no Brasil

O Brasil está num estado de extrema polarização política que começou quando as oligarquias e as velhas elites - hoje acantonadas na extrema-direita - desrespeitaram o voto popular e arranjaram um expediente para deitar abaixo Dilma Rousseff. A ferida abriu e nunca mais fechou, somando crise económica à crise política.

Já depois da ignomínia da sua sessão de “impeachment” pude assistir a uma conferência notável de Dilma em Portugal, percebendo ainda com mais clareza a dimensão do ódio de classe que está enraizado contra a obra social do Partido dos Trabalhadores, bem como o papel do conglomerado económico, mediático e judicial brasileiro na sua tentativa de implosão. Não é uma cortina de fumo, é o prolongamento de um revanchismo histórico associado a um estado de quase excepção, com grande violência política e agudas clivagens.

Os erros cometidos pelo PT foram muitos, sim. Intoleráveis, se quisermos, para uma governação de esquerda consequente. Sucede que eles nada têm a ver com a forma como foi posta em marcha a sua decapitação, embrulhada numa justiça parcial que nem sequer permitiu a Lula da Silva votar nas eleições. Perante isso, os democratas não se silenciam. Eu e outros deputados portugueses, ao lado de muitos outros por esse mundo fora, não nos calámos perante esse atentado aos direitos e liberdades de um cidadão.

Amanhã, finalmente, o Brasil vai a votos. As sondagens dizem que os antigos pilares da ditadura militar, os brancos ricos e os privilegiados, a que se acrescentam os fanatizados, vão votar num candidato que bolsa ódio. Ele é fascista, racista, misógino, homofóbico, inculto, primitivo, apoiante de torcionários, fã dos assassinatos políticos da ditadura militar e de execuções como a de Marielle Franco, que não condenou.

Cabe ao candidato do PT, que começou com 4% nas sondagens, confirmar que pode impedir uma vertigem autoritária com o voto dos pobres, das classes médias e de uma parte significativa daquele povo que aspira a uma vida melhor. Parece quase impossível, mas pode acontecer.

Acredito que amanhã vai ser barrada a peste fascista que, como sempre, tem o apoio dos “de cima” e já agora dos neoliberais que tão bem se deram no Chile de Pinochet. Perante a dimensão do que está em causa, eu votaria com toda a convicção e sem quaisquer estados de alma. Pela justiça histórica, rumo à vitória na segunda volta, daqui envio um abraço fraterno a todos os amigos brasileiros que estão nesta batalha.

Força, PT. Em frente, Fernando Haddad!