12 de Abril de 2013.
Enquanto Rui Rio e a sua entourage brindavam com champanhe num barco atracado no Douro mesmo em frente ao bairro do Aleixo, assistindo à sua implosão sem um plano social adequado, os pobres que lá viviam choravam.
Mais de sete anos depois, o Porto continua a viver as consequências de uma política bruta que destruiu vidas e alargou a mancha do problema. Mas por agora nem é esse o ponto.
O que mais chocou nesse dia foi ver aqueles que decidiram fazer da demolição de uma torre de um bairro onde viviam famílias pobres - com as suas histórias e dificuldades, memórias, problemas, mas também sonhos, como todos nós - um momento de gáudio e festa, fotografado e filmado por uma elite presente-distante que se fez mostrar daquela forma primitiva, uma "upper class" tão distante de tudo o que se ali se passava mas que quis mostrar-se vencedora de tão pouco.
A indiferença perante aquele desespero e o vazio do futuro (para muitos, até hoje) foi revoltante e essa atitude não é apenas definidora de opções políticas.
Desumanidade, frieza, ataque a quem menos tem.
Rio. Ventura.
Há coisas que não começaram em 2020.
[foto: Renato Roque, lembrada pela Tatiana Moutinho]

