26 mar 2019
Na despedida do João Vasconcelos
Na despedida do João Vasconcelos

A partida do João Vasconcelos é muito cruel. Parece impossível que tenha acontecido tão cedo e tão prematuramente a alguém que pulsava tanta energia, vida, entusiasmo. Era imparável. Chegava a ser desconcertante na forma como ultrapassava quaisquer problemas e obstáculos. “Melhor feito do que perfeito”, repetia e lembrava. Tenho lido muitos testemunhos por aqui de tantos amigos e gente com quem ele se cruzou. É uma bonita forma de ser homenageado. Haverá milhares delas com cada um.

Aí por 2013 ligou-me para ajudar a arrancar com a ideia de uma “Startup Porto” inspirada naquela que foi talvez a criação que mais gozo lhe deu na rua da Prata. Queria estruturar o embrião da coisa e entregá-la aos “gajos do Porto”, porque de outra forma, dizia, não ia funcionar. Veio ao Porto muitas vezes, corremos várias ruas para arranjar a sede perfeita, falámos com muita gente e fechámos acordo para um prédio ali na zona dos Poveiros. O projecto acabou por não avançar por várias razões, especialmente as funções assumidas em 2015, mas o que mais lhe interessava era o lado vivencial, de impacto na comunidade, de cor, partilha, amizade. Não seria, nunca foi, uma coisa cinzenta e burocrática. Isso sugava qualquer intensidade ou, numa palavra, a vida.

O mundo entretanto avançou. Em 2015 tornou-se num dinâmico e extraordinariamente reconhecido Secretário de Estado, que colocou novos temas na agenda, dinamizou e desburocratizou. Foi sempre um criador. Quando saiu do Governo por causa de uma razão estúpida, tão pequenina como o país por vezes pode ser, perdeu Portugal.

E agora, inesperadamente, perdemos todos. Até sempre, João.