24 Ago 2020
Viva a Revolução de 1820!
Viva a Revolução de 1820!
Foi neste dia, há 200 anos, na cidade do Porto, que a Revolução Liberal ergueu as bases do Portugal moderno, do constitucionalismo e do poder do soberano, o povo, derrubando o absolutismo. 
 
Este “liberalismo” não tem nada a ver com a actual acepção político-partidária e económica da palavra, remetendo antes para o Ideário das Luzes na produção de movimentos favoráveis à superação das velhas ordens, alicerçadas no valor inexpugnável do Homem e num sistema de valores para o qual muito contribuiu, por exemplo, o jacobinismo. Não por acaso, o “Sinédrio” de Fernandes Tomás, Ferreira Borges, Silva Carvalho e Ferreira Viana, visando acelerar a revolução, era claramente maçónico.
 
Esta Revolução começou por ser do Porto antes de ser do país, com a sua Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, e só teve a sua vitória final após o prolongado cerco do Porto (em condições inimagináveis de resistência, que foi superior a um ano), mas do qual D. Pedro e os portuenses saíram vitoriosos.
 
Os pergaminhos do Porto como cidade da liberdade, da autonomia e dos combates por aquilo que hoje designaríamos por “cidadania” têm sólidas raízes nesta Revolução, mas alargam-se a outros momentos críticos como a tentativa de instauração da República muito antes da sua implementação em Portugal ou, noutra linha, com a impressionante recepção da cidade ao General Humberto Delgado durante a ditadura salazarista.
 
Estes valores de resistência e luta definem esta ‘Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto’ e, sem eles, não é possível compreender não apenas a história de Portugal, mas muito do que o Porto continua a ser hoje como porta-estandarte de um contrapoder vivo e interventivo tão importante para todo o país.
 
Viva a Revolução de 1820 e, claro, viva o Porto!