O Sector Social: um pilar vivo da coesão nacional
15 Dez 2026

Num tempo em que o País procura renovar a confiança nas suas instituições, é fundamental reconhecer o papel insubstituível do Sector Social e Solidário como pilar de coesão, justiça e proximidade. O Sector Social é, talvez, a mais viva expressão da solidariedade organizada, nascida da generosidade das comunidades, e consolidada pela experiência e pela entrega de milhares de dirigentes, técnicos e voluntários, que todos os dias respondem às necessidades concretas das pessoas.

A história da democracia portuguesa está indissociavelmente ligada ao trabalho destas instituições. Desde o 25 de Abril, as IPSS, misericórdias, cooperativas e mutualidades foram companheiras permanentes da construção do Estado Social, dando-lhe corpo nos territórios e transformando direitos em respostas concretas. O País deve-lhes muito: aos seus profissionais, pela dedicação e competência, e aos seus dirigentes, pela visão e coragem de servir sem esperar retorno.

Hoje, o desafio é reforçar essa relação virtuosa entre o Estado e o Sector Social. Não como esferas paralelas, mas como parceiros que partilham responsabilidades na promoção da dignidade humana e da igualdade de oportunidades. A cooperação tem de ser leal, previsível e assente na confiança. As instituições não podem ser tratadas como executoras de políticas públicas, mas como co-autoras dessas mesmas políticas. O diálogo deve ser contínuo e o financiamento estável, garantindo sustentabilidade, planeamento e qualidade nas respostas.

Outro desafio central é o dos recursos humanos. A valorização dos profissionais do Sector Social é uma questão de justiça e de futuro. Não é possível assegurar cuidados de qualidade a crianças, idosos ou pessoas com deficiência, entre outros, sem garantir condições dignas a quem trabalha todos os dias com e para os outros. O reconhecimento das carreiras, a melhoria salarial e a formação contínua não são apenas reivindicações laborais: são exigências éticas de um Estado que valoriza quem cuida.

Ao mesmo tempo, é essencial reforçar a capacidade de inovação e modernização das instituições, aproveitando as oportunidades tecnológicas e o potencial da transição digital, sem nunca perder o centro da missão: o valor das pessoas e da relação humana.

Mas há ainda uma dimensão mais profunda, que é a do papel democrático do Sector Social. Num tempo de desafeição política e de fragmentação social, as IPSS são lugares de cidadania activa, de compromisso comunitário e de participação cívica. São, por isso, também instrumentos de coesão democrática, pois aproximam o Estado das pessoas e as pessoas entre si.

A construção de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva precisa desta rede viva que é o Sector Social. Cabe-nos, no Parlamento e no Governo, criar as condições para que as instituições possam cumprir a sua missão com estabilidade, reconhecimento e dignidade. E cabe à sociedade portuguesa continuar a valorizar, apoiar e respeitar quem, todos os dias, transforma a solidariedade num gesto concreto de humanidade.

Artigo publicado no boletim da UDIPSS